Melhores filmes com críticas sociais vencedores do Oscar para você maratonar

Na premiação do Oscar 2020 não houve negros indicados nas categorias de atuação e direção, algo que não se via desde 2011. Estudos atribuíram a exclusão a valores culturais americanos e hegemonia branca entre votantes da Academia. Dos mais de 5,7 mil votantes que decidem os indicados ao Oscar, 94% são brancos. Não à toa, mais de 300 atores e atrizes brancos já venceram nas categorias principais de atuação - negros, foram 15. O assunto chegou ao trend topics no Twitter e usuários criaram a hashtag #OscarsSoWhite. Além disso, ao receber o Oscar de melhor ator Joaquim Phoenix fez um discurso inflamado contra o racismo da principal premiação do cinema.

 

Apesar de o racismo ser exposto diversas vezes entre os anos de 2017 e 2019 outros problemas da sociedade também são debatidos no palco do Oscar, como no ano de 2018 em que atores divulgaram o movimento contra o assédio sexual em Hollywood, diversos diretores e grandes nomes foram denunciados incluindo o caso do Presidente da Academia.

 

Dois casos muito recentes, mas positivamente, foram os Oscar de melhor filme aos filmes "Roma” (2019) e "Parasita" (2020) que trouxe novas estruturas as histórias contadas no cinema, fugindo do mass media e a saga do herói construída pela indústria americana. E abriu portas para novos títulos estrangeiros entrarem na competição e serem divulgados no mundo.

 

Para ajudar a entender melhor como o Oscar, através dos anos, refletiu e debateu sobre estigmas sociais trouxemos essa lista com 8 filmes premiados para você assistir durante a quarentena:

 

Liberdade:

 

Em Forrest Gump – O contador de histórias é nos apresentado Forrest, um homem diferente, que possui algo em especial. Ele, sem saber, foi espectador direto de vários acontecimentos históricos, e no filme é nos mostrado o seu ponto de vista sobre eles. 

Entre estes acontecimentos, Forrest foi servir no Vietnã na época do conflito contra os Estados Unidos. No filme é visto o terrível cenário desta guerra, como também o comportamento dos soldados que mal sabiam o que estavam fazendo ou o motivo de estarem lutando.

Forrest volta da guerra como herói para o exército americano, mas ao mesmo tempo com a sociedade o odiando devido ao conflito desnecessário que o governo havia travado. Mas para Forrest de nada importava, pois em meio a isso tudo, ele perdeu seu melhor amigo que havia conhecido a pouco tempo, Bubba foi morto na guerra, deixando Forrest muito abalado.

 

O universo criado por Christof é perfeito. E é nesse mundo em que vive Truman. Um jovem rapaz que vive sua vida sem grandes turbulências. Bem sucedido e bastante querido por todos de sua comunidade, Truman usufrui de uma realidade pacífica. 

 

Essa linearidade começa a sofrer alterações quando eventos estranhos começam acontecer em Seahaven e provocam Truman. Começando aí o desenvolvimento da trama. Acontece que todos sabem, menos truman, é que a sua vida em fato é um reality show. Desde seu nascimento, Truman é filmado e transmitido ao vivo para todo o mundo. Sendo então o maior e mais audacioso programa de televisão, chamado O Show De Truman. 

 

O filme levanta questões importantes como, principalmente, o conceito de liberdade. Truman não escolhe ter sua vida transformada em um programa de Tv, simplesmente lhe foi condicionado isso. Enquanto que para muitos a vida de Truman seria o sonho perfeito, o próprio não tem autonomia para realmente classificá-la dessa maneira. O produtor previamente cria situações para provocar emoções em Truman e assim entreter o público. 

 

Até onde vai, de fato, nossa liberdade?

 

Racismo:

 

O filme “12 Anos de Escravidão” aborda a história do livro biográfico de Solomon Northup, um homem negro nascido livre no norte dos Estados Unidos da época escravagista. De acordo com a narrativa, Solomon vivia no distrito de Saratosa, Nova York, com a esposa e seus dois filhos, era violinista, sabia ler e escrever e viajou para diversas regiões nesse período em que parte do país ainda estava arraigada à cultura da escravidão. Certo dia, dois homens visitam Northup para lhe oferecer um emprego provisório de duas semanas em Washington, o qual ele aceita. Mas eles o embriagam e o sequestram para levá-lo ao sul escravagista e vendê-lo como escravo. A partir daí, Solomon precisa se virar como pode para sobreviver, superando humilhações físicas e emocionais.

 

A história se passa em 1841, época pré-Guerra Civil (1861-1865) e, portanto alguns anos antes da abolição oficial da escravatura no país.

 

A escravização é uma das maneiras de coisificar o homem, entretanto, existe também formas contemporâneas de retirar das pessoas a condição de humano. A propaganda é algo que reifica as pessoas, por exemplo. O homem moderno muitas vezes é reduzido a mais um número, um consumidor.

 

Em uma das cenas, o carpinteiro de William Ford, John Tibeats, e seus amigos torturam Solomon. Encarar um homem suspenso em uma árvore, sendo enforcado, sobrevivendo apenas com as pontas dos pés na lama, é algo que impacta mais do que muitas frases de efeito de produções parecidas. Tudo o que ouvimos é a respiração abafada pela corda e os pés raspando de forma superficial o chão, além de o próprio ranger da corda na árvore.

 

Não se trata de um filme fácil, mas vale o desafio. O filme contém cenas fortes de violência, como enforcamento, estupro e chicotadas – tudo de forma explícita e realista. Ao longo do enredo, é possível sentir dor e repulsa pelo que é retratado. Assim, com o longa é possível observar a crueldade humana contra o próximo – no caso, a relação do homem branco com o homem negro. Em termos de preconceitos, esta é uma obra sobre algo que, quase 200 anos depois, segue lamentavelmente atual.

 

A escravidão foi o reflexo de um momento histórico, político e cultural do passado. Hoje, existe uma tentativa de reparação em relação aos negros, tanto pelos preconceitos que ainda enfrentam quanto pelas dificuldades socioeconômicas decorrentes da escravidão – consequências que se arrastam há décadas.

 

E essa tentativa de reparar o passado pode ser custosa, pois a distância temporal pode causar resistência, como no caso das cotas em universidades para estudantes negros.

 

O filme, assim como outros apresentados nesta série, tem a função social de tocar e afetar as pessoas. Entretanto, neste caso em especial tal papel é ainda mais evidente e importante, pois por mais que a escravidão esteja no passado, é importante saber o que foi para entender suas implicações.

 

É necessário olhar para o passado e refletir sobre ele, não porque possa se repetir – os acontecimentos estão fortemente ligados ao contexto de cada época -, mas porque ele adquire novas facetas no presente.

 

 

Essa é a frase que os wakandanos dizem ao fazerem um “X” com os braços como um símbolo de patriotismo e, principalmente, da união desse povo.

 

O Marvel Studios construiu um modelo de negócios muito lucrativo, cada filme de seu vasto catálogo de super heróis possui acontecimentos que influenciam os próximos, como se cada um fosse um episódio de uma série. Um universo compartilhado que foi criado em 2008 e segue firme até hoje.

 

10 anos depois, em fevereiro, Pantera Negra foi lançado, sendo o primeiro filme desse universo protagonizado por um personagem negro e, não somente isso, tendo a maioria dos personagens negros também e com cenários ambientando lugares que representassem a realidade negra, como a periferia de Nova York e o continente africano.

 

Mas sinceramente falando, o filme não possui um roteiro desafiador. O que o torna especial é a dinâmica do contar uma história conhecida de maneira diferente. Eu explico.

 

Os filmes de super heróis são categorizados como super produções, demandam bastante dinheiro e outros recursos para serem produzidos, mas são bastante lucrativos pois atingem milhões de pessoas ao redor do mundo inteiro. Repito: milhões de pessoas ao redor do mundo inteiro. Para isso acontecer, os longas precisam agradar muitas pessoas, o que não fácil, principalmente quando a intenção é fazê-las pagarem para consumir, ou nesse caso, assistir.

 

Assim sendo, os executivos, aqueles que disponibilizam o dinheiro para a produção, impõem muitas condições para que tenham garantias de que terão o retorno de seus investimentos, que são milionários. Tudo precisa sair conforme o planejado, eles precisam ter segurança. Por isso muitos filmes, não somente os de super heróis, possuem roteiros previsíveis, tramas que já foram verificadas que agradam o grande público, então é só conta-las de maneiras diferentes.

 

Conto agora uma trama genérica presente em muitos filmes: o personagem especial, por algum motivo, precisa lidar com responsabilidades que surgiram, mas ainda não compreende e, para isso, precisa da ajuda de alguém para conseguir lidar com a situação. De repente, algo ou alguém surge e ameaça tirar dele tudo o que conhece e, a princípio, até consegue lhe causar dano. Então o protagonista, após muitas lutas e provações, alcança novamente sua ameaça, mas dessa vez já entende o que deve fazer, ou quem deve ser, ou como se comportar. A jornada traçada até esse momento lhe fortaleceu e, agora, pode deter a ameaça e continuar sua vida melhor do que começou.

 

Em Pantera Negra temos uma variação da chamada “Jornada do Herói”, mas que foi contada de uma maneira espetacular. O Marvel Studios, seguindo seu planejamento de filmes, percebeu o desejo existente da comunidade negra por mais representatividade, não só na mídia, mas na sociedade em geral. E o filme do Pantera faz isso: trouxe músicas com instrumentos típicos, roupas coloridas que trazem toda a parte artística da estética africana e, também, o debate sobre racismo. Pode não aprofundar, por que não é essa a intenção do produto, mas também não ignora. 

 

Em minha opinião foi uma oportunidade muito bem aproveitada para dar ao público aquilo que eles desejavam mas, também, de levar uma reflexão para milhões de pessoas, coisa que, eu diria, entidades governamentais tem dificuldade em fazer: a cultura negra é linda, é rica, é talentosa. O racismo existe e deve ser combatido com a integração de todos os povos, com respeito, tolerância e união como se fossemos todos uma só tribo. Vejam se não foi uma mensagem necessária para ser levada à milhões de pessoas no mundo inteiro. 

 

Todo esse contexto e qualidade na produção fizeram o filme ser indicado à inúmeros prêmios e indicações como ao Óscar 2019, onde foi indicado como Melhor Filme, que foi para o filme Green Book, mas ganhou os de Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora e Melhor Design de Produção. Foi o primeiro filme do Marvel Studios a ganhar um Óscar. Wakanda pra sempre!

 

Má distribuição de recursos:

 

A partir da saga de moonlight, acompanhamos o desenvolvimento de chiron em três momentos distintos. Na infância, Chiron cresce em um subúrbio em Miami. Em meio às ameaças de outros garotos e à negligência de uma mãe viciada, o garoto encontra no traficante Juan a figura paterna que lhe faltava em casa. Na adolescência, permanece sendo alvo do bullying de seus colegas de escola, quando descobre a sua (homo)sexualidade. No terceiro e último ato, já adulto, Chiron tenta se adaptar ao mundo bruto em que vive, mais por necessidade do que por inclinação ao delito.

 

A atribulada vida de Chiron nos permite vários olhares sobre os assuntos abordados. Há o contexto social bem definido. Temos um garoto negro e pobre que frequenta a mesma boca de fumo que sua mãe – enquanto Chiron busca a atenção do traficante, a mãe vai atrás de drogas. Há também o ambiente escolar, que acaba limitando as opções de futuro e conduz muitos jovens à delinquência.

 

Podemos ver o filme também por sua visão psicológica, na qual Chiron se vê frequentemente rejeitado, tanto na família, quanto na escola. Enquanto busca por uma relação de afeto que nunca teve.

 

Por fim, o filme permite o olhar sobre a sexualidade. O diretor mostra como a busca de Chiron por uma identidade, essa jornada de autoconhecimento, está relacionada à descoberta e à aceitação de sua homossexualidade. “Quem é você, Chiron?”, é uma das perguntas que o protagonista ouve sem saber o que responder.

 

Parasita narra, essencialmente, sobre dinheiro. Sobre o sistema capitalista e suas consequências. Acima de tudo, é um filme político. 

 

Quando na Coréia contemporânea, um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, ainda há pessoas que moram em porões sem nenhuma estrutura, saneamento básico, sem acesso à informação, internet etc. Temos realmente um grande reflexo que o sistema é falho e desigual. 

 

É neste cenário que a família Ki-taek se encontra no começo do filme. Desempregados, morando em um porão sujo e apertado, sujeitam-se a fazer qualquer serviço para sobrevivência. 

 

Diante disso, surge uma oportunidade de trabalho para o filho mais velho. Dar aulas de reforço para a filha de um casal muito bem de vida, ricaço, na parte nobre da cidade. Com a proposta aceita, a trama se desenvolve. 

 

Convivendo e ganhando a confiança dos Park, o rapaz mais velho começa a planejar levar toda sua família para trabalhar lá também, e por consequência, usufruir dos recursos. Nisso, o filme gira em torno do fascínio dos Ki-taek pela vida luxuosa, dos prazeres e privilégios que o dinheiro proporciona, enquanto equilibram-se com suas vidas precárias, do outro lado da cidade. É interessante notar que em meio desenvolvimento, a auto descoberta e reconhecimento dos personagens como diferentes de seus patrões, é intimamente ligado à consciência de suas posições sociais e poderes aquisitivos. Sendo, fundamentalmente, a motriz de mudança e revolta.

 

Guerras:

 

No período final da Segunda Guerra Mundial, os alemães possuíam uma máquina geradora de códigos conhecida como “Enigma”, e esta máquina portava uma grande segurança devido a sua criptografia, deixando as inalcançáveis conta as espionagens inimigas. Então, coube aos aliados juntarem uma força-tarefa, responsável pela quebra desta terrível arma nazista, e máquina que quebrou o “enigma’’ foi o primeiro computador moderno conhecido no mundo. 

 

Contudo, o filme destaca a história de seu criador, Alan Turing, que era um cientista especializado em matemática, além de outras áreas,como também o líder principal do projeto do primeiro computador. Mesmo tendo um ótimo currículo, o cientista foi perseguido devido a sua orientação sexual, e respondeu pelo crime de “indecência”, pois até então, a homossexualidade era proibida em seu país. No entanto, como ele teve um papel importante na guerra, Turing foi solto pelo governo e obrigado a realizar o processo de castração química, com o uso de hormônios femininos. 

 

 

A Lista de Schindler conta a biografia de Oskar Schindler, apresentado no filme como um empresário alemão oportunista, sedutor, "armador", elegante e simpático, mas ganancioso, comerciante no mercado negro, e, acima de tudo, um homem que se relacionava muito bem com o regime nazista, tanto que era membro do próprio Partido Nazista. Ele viu na mão de obra judia uma solução barata para lucrar com negócios durante a guerra e conseguiu ajuda do Partido Nazista para isso. Inclusive, é admirável que o roteiro não coloque Oskar em um posto messiânico, apresentando seu lado mulherengo e objetivos individualistas para, apenas depois, destacar sua transformação iniciada com as atrocidades que vê. Contudo, o que poderia parecer uma atitude de um homem vil, transformou-se em um dos maiores casos de amor à vida, apesar dos seus defeitos, ele amava o ser humano e assim fez o impossível, a ponto de perder a sua fortuna, mas conseguir salvar a vida de mais de mil judeus durante o Holocausto ao empregá-los em sua fábrica. O filme foi dirigido por Steven Spielberg e escrito por Steven Zaillian, baseado no romance Schindler's Ark escrito por Thomas Keneally.

 

O filme é ambientado em 1939, e mostra os alemães iniciando a relocação dos judeus poloneses para o Gueto de Cracóvia, pouco tempo depois do início da Segunda Guerra Mundial. E através da fotografia em preto e branco e da direção de Spielberg, ganhadoras do Oscar, desenvolve-se uma historia sobre genocídio e desespero e também de amor e esperança.

 

Holocausto progressivamente, mesmo que seja em retrospecto como no segundo caso. É uma estratégia essencial para mostrar ao público como o Mal não se instaura de um dia para o outro; como ele vai crescendo pela intolerância de uns, pela ganância de outros e pelo medo até dos bons; e, mais que tudo, levar um questionamento moral para cada espectador refletir sobre a postura que tomaria naquela situação e sobre suas ideias e atitudes no atual momento.

 

Spielberg transforma sua história em uma representação de todo o sofrimento que os judeus tiveram naquele período. Não à toa, a primeira cena do longa, ainda colorida, traz um pequeno grupo de judeus, que não fazem parte da trama, orando. Ali, o diretor deixa claro como não pretende apenas abordar arcos de personagens, mas de todo um povo. Não foi o diretor que tirou as cores do ocorrido, mas sim os autores da guerra, pintando nossa biografia com pesados tons escuros. Até mesmo o diretor mais otimista de todos os tempos desistiu do colorido diante de tal história.

 

No início, o grupo sofre apenas com as humilhações e obrigatoriedade de identificação; depois, são saqueados e expulsos de seus lares; no fim, agonizam com o trabalho escravo e holocausto. Tudo isso é apresentado com detalhes pelo roteiro, com direito a longas sequências, como a dos soldados da SS invadindo o gueto judeu, fazendo-nos presenciar as calamidades ocorridas com aquelas pessoas.

 

Consciente de que o público espera do diretor momentos leves, Spielberg, até apresenta cenas romantizadas, como o momento que um senhor deficiente agradece Schindler pelo emprego, mas, logo após, subverte nossas expectativas, mostrando o assassinato do idoso. Com isso, o diretor deixa claro que aquele filme não é o que esperávamos e que qualquer sinal de sentimento presente ali pode ser eliminado com a opressão nazista.

 

Ao colocar o espectador no papel de prisioneiros dos nazistas, o diretor nos faz sentir toda a dor daqueles personagens. Inclusive, aqui, Spielberg constrói cenas simplesmente agonizantes, como a que  traz Göth falhando ao atirar em um idoso, com destaque para o excelente design de som que aumenta o ruído da arma para potencializar a tensão da cena.

 

 

Por Jaqueline Almeida, Mateus Soares, Dâmares Rodrigues, João Bernardino e Fellype Moreira. Alunos do curso de Publicidade e Propaganda da Faculdade JK.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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